Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Cidade

Cidade, rumor e vaivém sem paz nas ruas,

Ó vida suja, hóstil, inutilmente gasta,

Saber que existe mar e as praias nuas,

Montanhas sem nome e planícies mais vastas

Que o mais vasto desejo,

E eu estou em ti fechada e apenas vejo

Os muros e as paredes, e não vejo

Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida

E que arrastas pela sombra das paredes

A minha alma que fora prometida

Às ondas brancas e às florestas verdes.

Noites sem nome, do tempo desligadas,

Solidão mais pura do que o fogo e a água,

Silêncio altíssimo e brilhante.

As imagens vivem e vão cantando libertadas

E no secreto murmurar de cada instante

Colhia a absolvição de toda a mágoa.

Cidade suja, restos de vozes e ruídos,

Rua triste à luz do candeeiro

Que nem a própria noite resgatou.

(...)

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra poética, Poesia, Editorial CAMINHO, 6ª Edição 

publicado por canecaspartidas às 17:50
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