Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Paisagem

Passavam pelo ar aves repentinas,

O cheiro da terra era fundo e amargo,

E ao longe as cavalgadas do mar largo

Sacudiam na areia as suas crinas.

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,

Era a carne das árvores elástica e dura,

Eram as gostas de sangue da resina

E as folhas em que a luz se descombina.

Eram os caminhos num ir lento,

Eram as mãos profundas do vento

Era o livre e luminoso chamamento

De asa dos espaços fugitiva.

Eram os pinheirais onde o sol poisa,

Era o peso e era a cor de cada coisa,

A sua quietude, secretamente viva,

E a sua exaltação afirmativa.

Era  a verdade e a força do mar largo,

Cuja voz, quando se quebra, sobe,

Era o regresso sem fim e a claridade

Das praias onde a direito o vento corre.

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, Obra poética, Poesia, Editorial CAMINHO, 6ª Edição

publicado por canecaspartidas às 18:03
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