Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

À Terra

Também eu quero abrir-te e semear

Um grão de poesia no teu seio!

Anda tudo a lavrar,

A abrir leques de sonhos e de centeio,

E são horas de eu pôr a germinar

A semente dos versos que granjeio.

 

Na seara madura de amanhã,

Sem fronteiras nem dono,

Há-de existir a praga da milhã,

A volúpia do sono

Da papoila vermelha e temporã,

E o alegre abandono

De uma cigarra vã.

 

Mas das asas que agite,

O poema que cante

Será graça e limite

Do pendão que levante

A fé que a tua força ressuscite!

 

Casou-nos Deus, o mito!

E cada imagem que me vem,

É um gomo teu, ou um grito

Que eu apenas repito

Na melodia que o poema tem.

 

Terra, minha aliada

Na criação!

Seja funda a vessada,

Seja à tona do chão,

Nada fecundas, nada,

Que eu não fermente também de inspiração.

E por isso de rasgo de magia

 

E te lanço nos braços a colheita

Que hás-de parir depois...

Poesia desfeita,

Fruto futuro de nós dois.

 

CABRAL, Avelino Soares, O Movimento "Presença" - José Régio e Miguel Torga, Proposta de Análise, Mem Martins, Edições Sebenta, Setembro 2000, 2ª Edição, págs. 59, 60, 62 e 82.

publicado por canecaspartidas às 12:54
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