Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

S. Leonardo de Galafura

 À proa dum navio de penedos,

A navegar num doce mar de mosto,

Capitão no seu posto

De comando,

S. Leonardo vai sulcando

As ondas

Da eternidade,

Sem pressa de chegar ao destino.

Ancorado e feliz no cais humano,

É num antecipado desengano

Que ruma em direcção ao cais divino.

 

Lá não terá socalcos

Nem vinhedos

Na menina dos olhos deslumbrados;

Doiros desaguados

Serão charcos de luz

Envelhecida,

Rasos, todos os montes

Deixarão prolongar os horizontes

Até onde se extingue a cor da vida.

 

Por isso, é devagar que se aproxima

Da bem-aventurança.

É lentamente que o rabelo avança

Debaixo dos seus pés de marinheiro.

E cada hora a mais que gasta no caminho

É um sorvo a mais de cheiro

A terra e a rosmaninho!

 

TORGA, Miguel, O Sentimento Telúrico/ O Amor à Terra, Diário IX (1964)

publicado por canecaspartidas às 11:07
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