Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Árvores do Alentejo

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Horas mortas... Curvada aos pés do Monte

A planície é um brasido... e, torturadas.

As árvores sangrentas, revoltadas,

Gritam a Deus a bênção duma fonte!


E quando, manhã alta.

o sol posponte

A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,

Esfíngicas, recortam desgrenhadas

Os trágicos perfis no horizonte!


Árvores! Corações, almas que choram,

Almas iguais à minha, almas que imploram

Em vão remédio para tanta mágoa!


Árvores! Não choreis! Olhai e vede:

-Também ando a gritar, morta de sede,

Pedindo a Deus a minha gota de água!



ESPANCA, Florbela; Charneca em Flor (1930)

 
publicado por canecaspartidas às 22:05
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